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Artigos do mês de setembro, 2007


É impressionante como, quanto mais se produz tecnologia e se desenvolve a capacidade humana de produção de conhecimento (o que deveria diminuir a distância entre as pessoas), mais as relações humanas se desgastam e se distanciam. Pensar sobre isto sempre me traz à memória uma pergunta:

“Por que as coisas humanas são tão ruins, embora aleguem ser tão boas?”

No campo do Design e das artes digitais isto não é diferente.

Uma embalagem de lasanha, com seu hiper-realismo e excelente design gráfico, leva a uma compra que se tornará frustrante quando o consumidor constatar que a lasanha preparada por ele é uma massa disforme se comparada à da embalagem. Já nas capas de revista de moda ou dietas vemos corpos perfeitos, sem rugas, estrias, cicatrizes (nem mesmo poros na pele!), contribuindo (e muito!) para as angústias e decepções pessoais de muitas mulheres que buscam atingir uma condição física que nada se parece com a realidade. Tudo tem uma boa argumentação inicial e um resultado eticamente questionável.

E por falar em realidade, cada vez mais ela parece um conceito relativo. Hoje é praticamente impossível acreditar que as imagens dispostas em revistas, jornais e na Internet não tenham sofrido algum tipo de retoque digital. Na verdade, muitas delas são completamente criadas digitalmente. O “mundo real” não é capaz de expressar nossa argumentação digital.

O que está surgindo é uma realidade digital cada vez mais distante da realidade vivida. Criamos um sistema onde as coisas serem como são de fato não funciona. Tudo é substituído, corrigido e padronizado conforme valores de consumo e perfeição. Estamos vivendo uma versão da Matrix criada pelos irmãos Wachowski. Podemos ter cicatrizes, espinhas e rugas desde que nossa representação digital esteja livre dessas imperfeições.

Em meados do século XX o jornal London Times solicitou a diversos escritores que mandassem ensaios sobre o assunto: “o que há de errado com o mundo?”. O escritor G. K. Chesterton respondeu mandando a carta mais curta e direta de todas:

Prezados Senhores,

Eu.
Atenciosamente,
G. K. Chesterton(*)

Ainda hoje não consigo pensar em uma resposta mais apropriada.

(*) Citado no livro Alma Sobrevivente de Philip Yancey, 2001 pág. 61

Cada vez mais se ouve falar deste termo que parece ter se tornado o queridinho do momento, seja em comerciais de carros, cursos, embalagens de produtos, moda e uma infinidade de outras coisas.

Tá, mas design é?
A palavra design, assim como todo termo que começa a fazer parte do nosso cotidiano (neste caso até de forma banalizada), acabou perdendo seu sentido real. Falamos em design a todo momento porém, muitas vezes não sabemos nem ao menos explicar o seu significado é nessas horas que devemos parar e repensar sua raiz para então compreender o que verdadeiramente está sendo dito.

Cada pessoa que se aventura nessa busca, acaba encontrando a sua própria resposta, até porque o design é tão rico que não pode ser definido em sua totalidade com uma simples frase ou palavra e qualquer tentativa de propor verdades absolutas, acaba sendo frustrada. Mas podemos dizer sem medo de errar que design vai muito além de desenvolver sites bonitinhos, produtos esteticamente perfeitos e embalagens que saltam aos nossos olhos (meras conseqüências do design), acredito no design como um intermediário indispensável entre a linguagem, o homem e a tecnologia, engloba todas as áreas do conhecimento e está muito mais voltado a compreensão do ser humano, suas tarefas, necessidades e ambiente em que estão inseridos do que com a mera estética a qual é convencionalmente associado.

Muito além do certo ou errado, é fato que o design faz parte da sua vida de muitas maneiras diferentes e se você tem interesse pelo tema, seja bem vindo a um fascinante mundo muito onde as perguntas são tão bem-vindas quanto as respostas.

O Design Coletivo é um espaço criado por um conjunto de pessoas com idéias em comum, entre os objetivos deste blog estão a abordagem de assuntos referentes a design, em suas mais variadas vertentes, a divulgação e discussão de trabalhos de outros designers e muito mais.

Para escrever ou trabalhar em algo complexo, dependemos bastante de inspiração/piração/respiração/conspiração e como o próprio nome sugere, essa ações geralmente acontecem de maneira mais fácil quando há coletividade.

Acompanhe-nos nessa nave interespacial/experimental, assine nosso feed, divulgue este espaço e participe desta idéia.

Equipe DesignColetivo

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O Design Coletivo é formado por 8 designers, interessados em criação de conteúdo relevante sobre design e seu reflexo no mercado, além do estímulo do debate nos assuntos referentes à area.

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