Depois do iMasters Intercon 2007, estivemos no 12° Encontro de Web Design, promovido pela Arteccom, que neste ano passou por diversas capitais do país e encerrou o circuito em São Paulo.
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A escolha dos palestrantes foi adequada, pessoas com perfis diferentes e que até discordavam um do outro em suas apresentações. Eram eles:
- Michel Lent - 10′Minutos Interactive
Web 2.0 e as novas fronteiras da profissão - Suzana Apelbaum - Hello, Interactive
Verdades e mentiras da publicidade online - André Matarazzo - Gringo.nu
O valor da originalidade no design para web - Luli Radfahrer - ECA-USP
Resoluções para o ano que vem
Os pontos negativos ficaram para:
- localização do auditório. Longe, muito longe. Difícil de chegar e de ir embora. Poderia ter sido no centro da cidade, ou senão na região da Avenida Paulista, ou qualquer lugar de fácil acesso. (ou com algum acesso)
- pouco tempo de palestra (aproximadamente 1 hora). A Suzana e o Matarazzo tiveram que correr em certo ponto de suas palestras, atropelando algum conteúdo
- muita propaganda. Num cenário onde todo mundo falava de uma nova exploração da propaganda aproveitando ao máximo a internet e que os filmes para TV são ‘quadrados’ (como falou Suzana Apelbaum), houve um bom tempo ocupado com propagandas e videozinhos que passam na TV ou de empresas já conhecidas entre o público. Um espaço que poderia ser ocupado com conteúdo. Realmente essa parte foi bem chata.
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Agora o conteúdo das palestras.
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Michel Lent - Web 2.0 e as novas fronteiras da profissão
CCO da 10′Minutos, Michel falou sobre o que realmente mudou com essa nova etapa de serviços na internet, comparou o modelo tradicional com o novo modelo de publicidade e como pode ser explorada e mostrou alguns exemplos e cases bem sucedidos da agência a partir dessa mentalidade.
Algumas táticas para negociar com clientes, como por exemplo vender hotsites que virão com cada produto, ao invés de somente um site institucional, e aproveitando esses lançamentos para colocar mais alguns banners e palavras-chave na conta, gerando mais trabalho e dinheiro para quem faz o trabalho.
Slides da palestra
Eu mídia » O usuário quer se ver. E quer ver os outros.
É por isso que o Big Brother, o orkut e blogs e fotologs são um sucesso. Se tornou a era das mini-celebridades. Dessa forma a agência não precisa mais criar o conteúdo, mas sim planejar e organizá-lo, de forma que os usuários sejam os responsáveis por essa criação. “Construa e eles virão”.
No case Borat, onde a agência fez o perfil oficial do personagem no orkut, a intenção era fazer com que as pessoas continuassem a falar do filme. Algumas vezes os recados eram respondidos, bem ao estilo Borat, a aproximação com quem gostou do filme se tornava ainda maior.
Para o sorteio de ingressos do show do U2 em São Paulo em 2006, criaram um estádio virtual onde cada pessoa se colocava dentro do estádio e concorria a um par de ingressos para o show da [ótima] banda. O estádio ficou lotado e a grande graça do site era conhecer cada pessoa que também estava ali dentro.
Ações para o lançamento do filme Garfield 2, duas ações para a Benq e o projeto Fanta Mundo, também com a participação do consumidor, era necessário um certo trabalho para a participação, mas que valia a pena porque foram bem planejadas, o que vai de encontro com outro ponto citado, de que quanto mais complexa a ação, menor o número de pessoas que vai participar, por isso é necessário um bom planejamento.
Michel encerrou sua palestra dando 5 conselhos para o público, bastante atento.
1) Teoria e conceito antes. Técnica e ferramenta depois.
Ou seja, a habilidade que você tem hoje, será superada daqui a alguns anos por alguém mais novo que você, é natural. Ele havia me dito isso numa conversa há algum tempo e é realmente verdade, por isso a base conceitual é importante.2) Existe vida além da agência, o cliente também precisa de experts.
Você pode entender tudo da sua área, mas às vezes não serve para trabalhar em agência. Não entre em crise, vá trabalhar no cliente e ajude o trabalho da agência fazendo seu chefe entender que esse negócio todo de publicidade online (por exemplo) pode sim dar um bom resultado.3) Clientes: Tratem seu fornecedor com carinho.
Quanto melhor for a relação entre os dois, mais prazer haverá no trabalho e os resultados serão os melhores possíveis.4) Jovens empresários: Errem primeiro com o dinheiro dos outros.
Por mais que você tenha espírito empreendedor e queira de qualquer jeito trabalhar por conta própria, considere a hipótese de ser funcionário antes de ser patrão, para que os possíveis erros que aconteçam te façam aprender como funciona e não errar novamente quando o seu dinheiro estiver em jogo5) A brincadeira está só começando.
Todo esse negócio é só o começo de muita coisa que virá. Quem souber se adaptar rapidamente e enxergar as fronteiras com inteligência poderá se tornar a referência.
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Suzana Apelbaum - Verdades e mentiras da publicidade online
Enumerou algumas questões e mostrou com pesquisas e trabalhos o que realmente acontece no mundo de propaganda na internet.
1 - A Internet não é mídia de nicho. A interpretação é que atinge uma enorme quantidade de pessoas, perdendo só para a televisão na questão de mídia de massa e é o único meio de penetração no horário de trabalho. As conversas de bar de hoje não falam só de matérias de noticiário ou escândalos de jornal, mas dos assuntos que acontecem ou começam na internet (como vimos o caso da Cicarelli, Katilce Miranda, comercial do Ronaldinho e as 4 bolas na trave).
2 - Internet não é coisa só de jovem. O público adulto é maioria (79% nos EUA e mais de 50% no Brasil). Até para games online a média de idade é 29 anos. Além de 38% de penetração na classe C.
3 - Limite para criação existe só na cabeça de quem cria. Ao contrário da TV, onde existem os 30 segundos, cronometrados, e você se vira nesse tempo. Mostrou a animação feita para o Fifa Street da Electronic Arts, onde o Ronaldinho Gaúcho saía do banner e interagia com os ícones de um desktop simulado na peça, muito bem feito.
4 - Interatividade é só o começo. E a internet pode ser explorada de muitas formas. Tem sua audiência própria, retém o público, oferece segmentação (menor dispersão, mais eficiência no target), excelente capacidade de medição de resultados (como nenhuma outra mídia), poder viral e infiltração da marca na vida das pessoas. A Internet reúne todas as mídias numa só, se tornando um espaço de convivência.
Suzana mostrou alguns banners e disse que a história que ninguém vê pop-up e o banner vai morrer é balela. [Sobre banners, os vejo todos os dias, acredito que existarão por um bom tempo, mas sobre os pop-ups, não lembro o que são há tempos]. A tendência seria envolvimento + relevância, com a propaganda parando de interromper o programa [conteúdo] a ser assistido ou acompanhado, mas participando do cotidiano desse consumidor. E se despediu afirmando que o que nunca muda é: O valor de uma idéia.
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André Matarazzo - O valor da originalidade no design para web
Trabalhou em algumas agências brasileiras e foi buscar experiência fora do país, na intenção de melhorar a qualidade dos seus trabalhos. Oferece para seus clientes hoje, o que ele chama de Advertainment, um tipo de propaganda ousada, arriscada e misturada com entretenimento. Afirmou que nunca entrega ao cliente um layout detalhado para aprovação, para que a idéia seja analisada, não a aparência, onde procurando descobrir o que é mais importante dentro da mensagem e trabalhando o conceito a partir disso.
A sua agência faz trabalhos de apresentação visual impecável, detalhada, perfeita, trabalhos ‘cala-boca‘, como diz meu amigo Daniel, porém são sites muito pesados e lentos para carregar. Perguntado ao final da palestra se a conexão e máquina do usuário eram considerados na criação desses sites, Matarazzo riu e confirmou que isso não era tão relevante [o que eu discordo]. Eu, após chegar em casa, contando superficialmente o conteúdo do evento para o meu pai [usuário comum de internet], quando falei que um dos palestrantes fazia aqueles sites que ficavam carregando no início, ele respondeu categoricamente: “Ninguém merece”.
Depois apresentou vários trabalhos da Gringo e se perdeu entre mostrar seu trabalho e apresentar a palestra, chegando a pedir para os seus funcionários ficarem de pé e que o público os aplaudisse. Achei desnecessário, já que aquilo não era a entrega de prêmios e nem uma demonstração da qualidade da agência, mas uma palestra. Acho necessária a exibição de alguns trabalhos, como tentativa de reforçar os conceitos passados, mas quando essa mentalidade é desconsiderada, a apresentação vai perdendo o sentido.
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Luli Radfahrer - Resoluções para o ano que vem
Um resumo da palestra você pode acompanhar no blog do próprio Luli. Para fazer download dos slides da apresentação clique na imagem acima.
Professor da USP há mais de uma década, sabe como ninguém entreter uma platéia e ainda arrancar risos [e também gargalhadas]. Me agradam as constatações pés-no-chão que ele faz, por exemplo: “Qual a diferença entre o Faustão na TV analógica e na TV Digital? Você por acaso vai querer interagir com o Faustão?” Comentando que ocorre uma grande mudança do ponto de vista técnico, mas a qualidade vai continuar a mesma com a televisão digital.
A função de saber o que usar, como criar é função do designer, não do cliente. O cliente não precisa de noção, ele tem dinheiro e te paga pra fazer o que deve ser feito. [Aqui cabe a citação do Michel Lent sobre experts trabalhando no cliente, que pode fazer a relação entre cliente e fornecedor ainda mais rica].
Você merece atenção?
Com essa frase começou num novo tópico a falar de como pode ser feito o design, quantas camadas ainda existem fora do design gráfico, como design de informação, de interação, conteúdo, objetivos, especificações técnicas e hoje a maior parte do trabalho é focada somente nos elementos visuais, com uma grande área deixando de ser explorada.
Por último definiu o design como 3 coisas:
1) Desenho
uma cara, linguagem. Pessoas são cegas visualmente, deixam de fazer desenhos aos 7 anos para começar a só ler. Um executivo é um bom exemplo.
2) Projeto
resultados. Justificar o investimento.
3) Desígnio
objetivo. Se o design consegue essas coisas todas se torna um bom design.
bom design = invisível. deixa a impressão de algo bem feito.
mau design = ‘pobrema’ - quase sempre perceptível
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Mais sobre o evento: ViuIsso?, René de Paula
Publicado em: Design Coletivo, Eventos, Web, Segunda-feira, 10th Dezembro, 2007 às 8:00 am
Tags: agencias, Mercado, webdesign
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O que são feeds RSS?
Dezembro 10th, 2007 às 11:41 am
Estou impressionado com a qualidade do post, cheguei a ler outras matérias sobre o evento e particularmente achei essa muito rica. Como não tive a oportunidade de ir ao evento, e nenhum designer pode se dar ao luxo de ignorar um evento desta importância, recorri a blogs para ter uma idéia de como foi e o que vi aqui, me deu um visão geral do evento. Mesmo de longe, lamento pelos pontos negativos como a localização e a contraditória exibição de propagandas que já somos forçados a ver em nosso dia-a-dia.
Acho que as palestras foram mesmo ricas, a visão do Michel Lent, certamente revela um pouco do segredo do sucesso que a 10′Minutos vem fazendo, é um daqueles momentos que nos leva a perceber que podemos ir muito além do que fazemos hoje, nos força a ver como estamos condicionados. Assim como a Suzana reforça em sua palestra, fica claro que o que sempre está por trás de um case de sucesso, é uma grande idéia.
Na palestra do André, eu tenho a impressão de que ele está focado em um público mais específico, ou acreditando muito no desenvolvimento das tecnologias de acesso a Internet (a curto prazo), tive a oportunidade de conferir alguns de seus trabalhos (excelentes por sinal) e também não concordo muito com o que ele diz sobre a velocidade de conexão, principalmente num país onde 25% dos usuários ainda acessam a internet via conexão discada, mas seu trabalho é realmente como o seu discurso deixa claro, cheio de conteúdo e as vezes com alguma pitada de polêmica, porém, o sucesso que ele alcançou, me faz pensar que ele sabe bem porque deve se manter agindo assim.
Na palestra resoluções para o ano que vem, achei interessante a comparação entre o que veremos na televisão digital e analógica, só discordo da parte em que indaga se alguém irá interagir com os programas mais falados (bem ou mal falados), acredito que as transmissões digitais sugerem uma nova mentalidade, uma nova maneira de se criar conteúdo e a interação pode ser um excelente medidor da satisfação de quem está do outro lado da tela (que deixa de ser apenas telespectador), quem entrar na era da televisão digital, sem pensar em uma nova forma de disseminar conteúdo, na minha opinião, terá o mesmo fim que os sites institucionais tiveram na internet, porém é claro que estamos falamos de transformações a longo prazo até porque este tipo de mentalidade sugerida, sequer começou a ser criado.
Dezembro 10th, 2007 às 1:58 pm
[...] Trackbacks: Rodrigo Sampaio Teixeira; Camilo Oliveira (Design Coletivo). [...]
Dezembro 10th, 2007 às 2:49 pm
Sim Binho, ele afirmou isso na palestra.