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Artigos do autor Cássio Lacerda


Nada melhor do que sair e ir a algum lugar do qual gostamos e nos sentimos bem. Nas grandes cidades bares, livrarias, cafés e restaurantes costumam ser os favoritos de qualquer programa entre amigos, famílias ou casais e são vários os fatores para escolha de sua preferência, mas talvez um deles seja o de maior relevância: a ambientação.

Muitas empresas desses segmentos investem pesado no design interno de seus estabelecimentos com o objetivo principal de criar uma espécie de mundo paralelo ao que a pessoa está acostumada lá fora e que, desta forma, lhe proporcione sensações variadas de bem-estar. O designer, neste caso o de interiores, fica com a incumbência de criar toda esta ambientação através de vários recursos do design que são utilizados de forma a contribuir para praticidade, usabilidade e conforto do usuário.

Esse trabalho de ambientação que acontece no mundo físico e que é realizado pelos designers especializados em interiores, também se dá em um outro ambiente que é o virtual. Neste outro ambiente onde o especialista é o designer de interface, e que apesar do objetivo nestes dois meios serem o mesmo, ou seja, proporcionar uma interação adequada ao usuário, os caminhos para atingi-lo são distintos, até mesmo pela natureza de ambos. Hoje mais do que nunca os sites de empresas, principalmente destes segmentos, tentam criar no ambiente virtual, não diria uma simulação do ambiente físico, mas sim, uma espécie de virtualização das sensações encontradas lá.

A experiência do usuário, tanto física como virtual, depende de um bom trabalho de design que se alinhe às expectativas do mesmo. Por isso, a necessidade de ambientes virtuais em que as pessoas, durante a navegação, possam sentir-se “confortáveis” e vivenciar uma marca através de uma interface projetada de acordo com o ambiente físico, torna-se cada vez mais indispensável para diferenciação.

Assim como, qualquer pessoa se sentirá bem de ir a um restaurante que tenha um certo requinte através de todo o conjunto de seu ambiente interno, o usuário de um site de mesma forma se sentirá, se este site além de ter uma ambientação com uma estética interessante, também for navegável e transmitir uma sensação de conforto.

Para o profissional de qualquer área, um dos momentos mais complicados é o começo da jornada, ou seja, a hora de ganhar a oportunidade para mostrar seu trabalho. Na maioria das profissões, a situação é um pouco mais complicada, pois a dependência direta da aceitação de uma empresa, é fator quase que necessário para que a pessoa comece a atuar na área e desempenhar aquilo que se preparou na faculdade, em cursos ou de forma auto-dídata. Muitas vezes, devido a essa dependência, muitas pessoas acabam desistindo da carreira. Já na área de Design, apesar da concorrência acirrada, acredito que há um ponto de grande relevância: o designer ganha visibilidade com projetos, e esses projetos, podem ser desenvolvidos por iniciativa própria do designer.

A iniciativa própria, e o que afirmo aqui não é segredo para ninguém, é a maior ferramenta que uma pessoa pode ter, mas para um designer ela tem um valor incalculável. Quem nunca navegou em um site de alguma empresa grande, ou olhou um cartaz ou banner de uma grande marca na rua e se indagou: ‘Poxa, se eu tivesse a oportunidade, acho que poderia fazer melhor…’. e aí é que chego à grande questão deste post.

Um designer iniciante que ainda não tem nada profissionalmente em seu portifólio, pode através de projetos experimentais ou paralelos, apresentar prospostas a empresas que dêem visibilidade ao trabalho do mesmo. Uma grande oportunidade para isso são os trabalhos desenvolvidos durante a faculdade. Nesses trabalhos há a possibilidade de se pesquisar, analisar e encontrar soluções em situações reais do mercado, o que de uma forma objetiva, significa que após a conclusão desse trabalho, nada lhe impede de apresentá-lo a uma determinada empresa.

Já não é de hoje, que designers e muitos ilustradores arriscam, muitas vezes sem muitas expectativas, enviar amostras de seus trabalhos para grandes empresas e posteriormente são convocados a realizar trabalhos de visibilidade, como foi o caso dos 3 garotos da Nitrocorpz de Goiás, que enviaram uma série de ilustrações para MTV Brasil e as mesmas foram utilizadas por todo o ano nas vinhetas da programação. Esse trabalho em específico, composto de figuras de extrema simplicidade, e que de uma certa forma foi simples de ser feito, abriu diversas portas a eles como os próprios comentaram no último Pixel-Show em que estivemos presentes lá.

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Além da qualidade de um produto estar ligada de maneira direta à matéria-prima usada em sua fabricação e também a toda logística de produção, não é difícil descobrir que os produtos precisam de uma embalagem interessante para que convençam o consumidor de que realmente o que estão levando tem a qualidade a altura de suas expectativas. Abri a geladeira há alguns dias atrás e lá estava uma caixa de suco natural de 1 litro. Olhei para sua embalagem e sem nunca ter provado e muito menos ter visto seu preço na prateleira, pude antecipar sua baixa qualidade simplesmente pela aparência da embalagem.

Num mundo em que cada vez mais as empresas se acirram na luta pelo seu produto ser o mais vendido, o grande diferencial com certeza é o seu design. As sensações proporcionadas por um produto, com certeza não são limitadas ao seu sabor ou aroma somente, mas também às sensações visuais e de tato intrínsecas à embalagem, assim como, as sensações de bem-estar pelo status que é criado pelas campanhas publicitárias de alguns produtos, caso aliás dos cigarros.

De modo semelhante ao que acontece no design de embalagem, no design de produto, a mudança de pensamento e o investimento maciço neste tipo de design foram a base para uma das maiores revoluções econômicas protagonizadas por um país no século XX, foi o caso da Coréia do Sul que desde os anos 60, e com muito mais ênfase a partir dos anos 90, busca o reconhecimento de seus produtos não só pela qualidade , mas também pelo design. Empresas como a Hyundai, LG, KIA, Samsung são alguns exemplos de empresas de sucesso que apostaram no design para diferenciação de seus produtos, e constantemente, estão entre os ganhadores de prêmios como o Industrial Design Excellence Awards, iFDesign Awards, Red Dot Award e Good Design Award.

Hoje em dia já temos produtos brasileiros com excelente design, tanto na parte estética quanto em sua usabilidade, e apesar das tecnologias de produção ainda serem caras, é o tipo de investimento que vale cada vez mais a pena para qualquer empresa que almeja estar entre as grandes mundiais futuramente.

Nesses tempos de fervor tecnológico onde o potencial das novas mídias digitais é algo inquestionável, muito tem se ouvido falar no fim dos cartazes, banners, cartões de visitas e outros tipos de materiais impressos que estariam com seus dias contados com a chegada desses novos meios digitais. Se isso um dia acontecer, o que acho quase impossível, não será amanhã de manhã…

Hoje, mais do que nunca, o material gráfico é um aliado incondicional da web, servindo como recurso e parte de um todo na conquista dos consumidores. Hoje é comum encontrar cartazes e mikas que tem como objetivo mais trazer uma espécie de curiosidade ao receptor do que propriamente informar algo, relegando está tarefa a um segundo instante, onde a pessoa é levada a entrar em um site.

O uso com ênfase do endereço do site em todos os materiais impressos, inclusive nas embalagens quando no caso de produtos, pode criar um resultado interessantíssimo em uma campanha publicitária e nós designers devemos nos preocupar em usar de forma concisa e em conjunto esses dois tipos de mídia que se autocompletam.

O analfabetismo sempre foi um dos fatores mais importantes quando se considera o índice de desenvolvimento de um país, servindo de base também para projetos de política interna que tem por objetivo diminuí-lo. Há algumas décadas, antes da chegada das novas mídias, uma pessoa para não ser considerada analfabeta precisava apenas saber ler e escrever, o que de fato, lhe dava uma certa condição de sobrevivência em uma sociedade ainda industrial.

Com o boom da internet e um aumento significativo na quantidade de informação gerada pela e para sociedade nos últimos anos, o sentido da palavra analfabetismo dentro deste novo contexto, ganhou uma nova conotação, sendo atribuída também à pessoas que não dominam os meios digitais. Mas, um outro tipo de analfabetismo, ainda não muito comentado e nem colocado em pauta pela mídia, é alvo de exploração por parte dos que já detêm o domínio sobre a linguagem da imagem, falo do analfabetismo visual.

Apesar de ser um tipo de comunicação que o homem se utiliza desde a antiguidade, nunca, em nossa história, ela foi usada com um poder tão grande de influenciar e persuadir pessoas. Através de mensagens contendo imagens carregadas de uma grande quantidade de sentidos e conotações, a maior parte das pessoas, que são as receptoras dessas mensagens, não se dão conta de que são manipuladas a formar opinião sobre os mais variados assuntos e desconhecem a forma como foram levadas a determinadas premissas.

Em um país como nosso, onde até o simples ato de ler e escrever é precário, uma das soluções que contribuiria em muito para diminuir nosso “analfabetismo visual”, seria o estado dar uma importância maior às aulas de educação artística na grade curricular do ensino fundamental e médio, o que de fato, é vital para que uma população não fique refém de meia dúzia de pessoas com interesses próprios.

No início, antes do aprendizado dos conceitos e técnicas de design, a maioria dos layouts produzidos não passam de um aglomerado de informações desordenadas que não mantém uma relação visual consistente e muito menos passam qualquer mensagem de forma clara e concisa já que o nível de ruído encontrado na maioria dos trabalhos amadores é grande.

Depois de algum tempo e muita prática através de experimentações, adquire-se uma bagagem que permite começar a perceber toda a problemática envolvida no desenvolvimento de um simples layout. As preocupações são muitas: para quem se destina, qual a linguagem utilizar, que informações dar ênfase, como manter a unidade visual, o que pretende-se comunicar, em resumo, qual é o objetivo em produzir aquela comunicação? Aí está talvez a maior pergunta…

Após ter em poder as respostas para as perguntas acima, que em partes será dada através de um briefing, inicia-se a parte mais complicada que é planejar visualmente o conteúdo de forma que satisfaça todas as questões, e é exatamente nessa hora que entra algo que é o tema deste post, o “vazio”. É isso mesmo, o “nada”.

Um dos maiores problemas encontrados no planejamento visual de uma peça é exatamente a necessidade primitiva de ter de se preencher todos os espaços com alguma coisa, sendo que o próprio vazio funciona não só como parte do todo, como também sendo o próprio conteúdo. Saber explorar os vazios do layout é uma técnica que com o tempo acostuma-se, e por incrível que pareça, tais layouts que o aproveitam, costumam ser os mais sofisticados. O uso do minimalismo nos layouts está paralelamente ligado ao bom uso dos espaços, sendo que o minimalismo hoje em dia é quase que sinônimo de sofisticação.

Não é raro vacilarmos e nos pegarmos questionando: Será que já está bom? Acho que sim! Ou não? Ah não, eu preciso colocar algo ali, está muito “vazio”… Provavelmente seu trabalho, nesta hora, já esteja muito bom, é lógico que ressalvo algumas situações que a proposta seja outra.

Aprendermos a ter o feeling para reconhecer a consistência de um layout, e não nos deixar vacilar pela inquietude, talvez seja uma das maiores dificuldades que sempre teremos de enfrentar.

Relacionados:
Se sente Designer hoje?

Mais informações:

http://www.alistapart.com/articles/whitespace

http://ramonpage.com/2006/12/16/melhorando-a-legibilidade-com-espaco-e m-branco/
http://www.ideiadigital.ppg.br/blog/design-menos-e-mais

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