É comum no meio do trabalho um designer se deparar com situações que demandam soluções criativas para resolver problemas. Seja encaixar muito texto em pouco espaço, ou estabelecer uma boa hierarquia visual para que as pessoas não se percam lendo um cartaz ou qualquer outra coisa do tipo.
A maioria dessas situações nos obriga a revirar a cabeça, lembrar dos conceitos de design que aprendemos (que muitas vezes temos que quebrá-los – o que não é nenhum crime) até acharmos a solução. Este exercício é desafiador e nos amadurece como designers.
Sou fã de desenhos animados desde criança. Me divirto e rio alto com Tom e Jerry, Pica-Pau e afins até hoje. Com o tempo fui prestando atenção em como as soluções eram usadas nos desenhos.
Pica-Pau desce as cataratas
Algumas coisas são impossíveis de serem reproduzidas no mundo real, soando até como exagero. São as que eu mais acho engraçado. Passar uma tinta e ficar invisível, esconder-se atrás de um objeto bem mais fino do que o próprio corpo, colocar disfarçadamente o rabo do outro no forno são saídas impensáveis num contexto real, mas considerando novamente as situações que encontramos como designers, pensar o improvável deve ser considerado.
David Carson desafiou os princípios de legibilidade e o então vigente culto ao grid para mudar a história do design gráfico nos anos 1990 (leia matéria com mais detalhes sobre seu trabalho). Já é um ótimo exemplo.
Como a maioria das pessoas da minha idade (tenho 21), os desenhos que mais admiro são os que passavam entre 15 e 10 anos atrás, não dá mais pra parar e assistir Fox Kids ou Cartoon Network por mais de uma hora como era possível antes, salvo raras exceções como os dois já citados acima e Coiote ou Johnny Bravo e mais alguns poucos. Ainda assim tenho o mesmo prazer que tinha antes ao assistir desenhos antigos, talvez hoje aproveite até mais justamente por observar os detalhes, ficar atento aos ruídos (quase sempre obtidos só com instrumentos musicais). Abaixo vão vídeos de alguns episódios de desenhos animados, pra observar sob esse ponto de vista apresentado.
Tom & Jerry – Um Gato no Céu
Pica-Pau – Você vai comer isto?
Coiote e Papa Léguas
Pica-Pau: Vamos nanar jacaré
Pica-Pau Adotivo
No filme/desenho Space Jam esse limite é muito explorado. No final do jogo, perdendo por um ponto e após seu amigo ter se machucado, Michael Jordan questiona o Pernalonga sobre como foi possível seu amigo ter voado como um desenho (precisamente aos 2:37 de vídeo) e ele responde:
- Ah, qualquer um pode fazer isso, até você!
Mesmo que para você, assim como para o Jordan, que só tinha 10 segundos pra virar o jogo, pareça um pouco tarde saber disso, fazer o improvável é mais uma alternativa que deve ser considerada.
—-
O Dener já tinha escrito sobre desenhos animados aqui no Design Coletivo, vale a pena reler o post: Animando sua mente.
Acompanhe os posts do Design Coletivo.
O que são feeds RSS?
março 8th, 2009 às 8:15 pm
Good times…
abril 7th, 2009 às 2:49 pm
Pois é… entrei no blog procurando coisas sobre coletivos de design e encontrei esse texto.
Concordo bem com o que disse. Só relembrando que é preciso conhecer bem as regras para poder quebrá-las.
Mas pensar no improvável é complicado, principalmente quando se cai na rotina, e os pensamentos acabam entrando todos no mesmo túnel.
Mas cada um precisa achar sua forma de mudar de ângulo, não existe regra, nem manual…
Abraço.