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Postei essa imagem no twitter há uns meses e comentei sobre a permanência do visual da série E nos carros da Mercedes ao longo dos anos. Os replies que recebi comentavam da falta de inovação nos carros por parte da Mercedes e que a BMW tinha sido mais ousada nesse sentido. Não levei a discussão muito pra frente porque meu ponto não era comparar tecnologia, mas sim a aparência dos carros. Acho que o mercado automobilístico é o que mais respeita a característica de uma linha. Excluindo claro, os carros que são muito feios e precisam mudar completamente de cara ao longo do tempo, a maioria segue uma sequência de evolução bem clara. Abaixo, meu carro favorito.

Honda Civic

Mas além da evolução natural de cada modelo, as marcas também mantém uma identidade sobre todos os carros produzidos por ela no período. Abaixo os modelos atuais da Volkswagen. Alguns são bem diferentes uns dos outros, mas as lanternas devem ser desenhadas em cima de uma base comum e dão uma unidade enorme quando você olha para todos eles juntos.

Volkswagen 2011

Adendo: Esqueci quando escrevi e tive a obrigação de vir aqui adicionar: Quem mais no Brasil tem a manha de fazer um comercial que não fala seu nome? Isso é construção de marca, que mesmo bem feita, leva muito tempo.

Trazendo um pouco para a realidade da maioria de nós, que é o design gráfico e/ou para web, temos diversos exemplos de uma identidade visual que é respeitada ao longo do tempo. Em 1999, o Google colocou só um campo de texto e dois botões além do logo na sua página inicial, o que era um pensamento completamente à frente daquele tempo. E isso permanece até hoje, mesmo com valores absurdos podendo ser cobrados por um anúncio naquela página. Veja a evolução completa.

1999 / 2011

A 37 signals, que é outra empresa que eu admiro bastante e já comentei aqui antes, publicou esses dias um vídeo mostrando também a evolução de sua home.


Evolution of a homepage from 37signals on Vimeo.

É mais uma companhia que tem claramente uma linguagem de design definida, prezando pela limpeza visual em todos os seus produtos. É interessante notar que desde o começo essa linguagem foi a mesma, um pouco diferente do Google, que começou com uma interface com mais ítens e até ficar bem limpa, os meninos de Chicago já começaram no caminho certo. Chuto que pelo fato de eles terem sido uma agência de design antes da atual empresa de software, fazendo trabalhos para clientes e seguindo as preferências visuais deles, quando passaram a fazer a identidade de seus produtos, já tinham na cabeça como seriam seus layouts.

Não que a tal limpeza visual seja o único caminho a seguir, no caso dos exemplos deste post, foi só uma coincidência.

Fazendo errado

Agora um mau exemplo que não entendo o porquê de existir. A interface do Windows não é aquela coisa que paramos para admirar, principalmente no confuso Windows Explorer. Mas agora, quando a Microsoft trabalha no Windows 8, que vai ser um completo redesenho do sistema operacional, muito influenciado pelo Windows Phone 7, a belíssima versão móvel do SO da gigante de Redmond, eles soltam uma dessas. O WP7 ficou lindão, bem como o Windows 8 parecia que ia ficar, até que publicaram a cara do “novo” Windows Explorer, que você vê uma cópia abaixo.

Explorer in "Windows 8"

Só vem aquela pergunta: pra que tanto botão?
Pelo menos adicionaram o de criar uma nova pasta, que já devia existir há anos. Caso você tenha estômago, leia o post completo no blog de desenvolvimento, com toda a evolução do Windows Explorer e veja a desgraça que ficou. A inspiração no sistema móvel passou bem longe daí. Fico pensando como vai ser a experiência de uso, com cada parte do SO de um jeito.

Redesign constante

Aproveitando o assunto, às vezes é necessário parar e mudar tudo. De repente, começar de novo dá menos trabalho do que ir arrumando e arrumando o que já está pronto, só é preciso cuidado com os efeitos que essa mudança vai gerar. O problema aí está em mudar tudo sempre. Como fazer o layout de um jeito num ano, e no ano seguinte mudar tudo. Fico meio preocupado quando vejo blogs ou sites conhecidos que mudam constantemente, demonstrando não possuírem nenhuma consistência e vendendo seus novos layouts como a coisa mais legal que eles poderiam ter feito.

“If you’re not in the midst of a redesign, I’m not sure what you’re doing on the web.” - @zeldman on @bigwebshow Jen Matson – no twitter

Veja bem, não sou contra redesigns, sou contra você não ter uma cara. O grande Jeffrey Zeldman disse em uma entrevista que “se você não está no meio de um redesign, não sei o que você está fazendo na web”, (frase destacada acima) – e se Zeldman fala alguma coisa, você ouve e aprende – então o processo é uma evolução constante, tanto na internet, quanto fora dela, o problema é cada hora ser de um jeito, tipo o Ford Fiesta (que começou feio, depois ficou igual o Corsa, e agora ficou igual outro carro qualquer).

A Globo.com depois de sofrer com esse problema, fez a melhor interface de portais que nós temos no Brasil e se tornou a referência. O R7 fez algo muito parecido, o iG também, até o UOL tentou entrar na onda, mas ainda tem propaganda conteúdo demais na sua home. É legal ter uma referência, o que não é tão legal é ficar tudo igual, o lance de não ter uma cara, como acabei de falar.

Eu já tinha trabalhado assim antes e acontece agora novamente do principal cliente que eu atendo na agência ter uma série de guias de interface. Fontes, assinaturas e outras coisas a serem sempre utilizadas. Às vezes parece meio chato ter que usar sempre a mesma tipografia ou montar o fundo da mesma forma, mas como a gente trabalha em função de um cliente, é a identidade dele que precisa ser respeitada, e não só pensar na riqueza do nosso portfólio.

update: depois de publicar o post, alguém mandou esse link no twitter, que fala da evolução do design do velocímetro dos carros da Chevrolet, que está completando 100 anos, dá uma olhada: Chevrolet speedometer design

 


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Publicado em: Conceitos, Criação, quinta-feira, 3rd novembro, 2011 às 6:25 am
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4 Comentários para "Consistência visual"


  1. Camilo Oliveira:
    novembro 3rd, 2011 às 10:47 am

    Esse post terminou de um jeito bem mais seco do que eu queria, meio sem final, mas não sei como finalizá-lo, então foi assim mesmo.



  2. Klaibert:
    novembro 13th, 2011 às 2:49 pm

    Bela abordagem Camilo,o post deixa claro que não importa o segmento a consistência visual é sempre muito importante no entanto, para criar e manter uma é preciso que o visual tenha como base conceitos sólidos, que por sua vez refletem e muito os valores da empresa/marca/produto.

    Por essas outras é que dizemos que o simples é algo muito complicado de se fazer.



  3. Montadoras: design não é só a forma | Design Coletivo:
    janeiro 6th, 2012 às 8:38 am

    [...] meu último post eu falo um pouco sobre essa evolução dos veículos ao longo do tempo – entre outras [...]



  4. Hora de mudar de mudar tudo | Design Coletivo:
    janeiro 27th, 2012 às 6:43 am

    [...] uns 3 meses eu publiquei um post onde falei sobre consistência visual e critiquei a falta de ‘cara’ de alguns projetos de design e os dois exemplos que citei acima [...]



  1. 2 Trackback(s)

  2. jan 6, 2012: Montadoras: design não é só a forma | Design Coletivo
  3. jan 27, 2012: Hora de mudar de mudar tudo | Design Coletivo

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