Quase isso.
A correria que a gente trabalha nos faz ficarmos acostumados com o “melhor que deu pra fazer nesse tempo“. Mas quando vamos para o próximo job, a loucura é a mesma. E então passamos a ver os trabalhos que chegam pra nós como uma pilha de trabalho a ser entregue.
E isso é ruim. Muito ruim. Porque uma hora você se entedia com aquele bando de coisa meia boca que sai do seu Photoshop. Não necessariamente porque você não é bom ou não sabe fazer direito, mas porque nunca dá tempo de refinar. Quando você começa a juntar os trabalhos pra ver o que vai entrar no portfólio, ou fazer uma retrospectiva, parece que nada merece ser muito lembrado e começamos a dar desculpas pra nós mesmos do que não ficou legal. E isso é uma merda porque essa auto-enganação não dura muito tempo, caímos na real rapidinho.
É preciso ter aquela calma que o diretor de criação tem.
Já ouvi algumas vezes que algo que tinha feito não estava bom o suficiente e ia precisar refazer. Eu até concordava que dava pra melhorar, mas não havia tempo suficiente, porque outras coisas estavam na fila. A tal fila. Sempre a fila. A fila da p… Nessas horas eu me questionava o que ia acontecer, uma vez que o tempo estava curto pra entregar tudo e eu ia ter que gastar mais tempo no que já deveria ter sido entregue.
Uma vez percebendo que um atraso vai acontecer, é hora de chamar o pessoal de atendimento, projetos, tráfego, diretor de criação e todo mundo que tem poder de negociar alguma coisa internamente e/ou com o cliente.
Não estou recomendando ninguém ser irresponsável, a gente precisa sim ter comprometimento com as entregas (uma vez um chefe meu falou que “prazo não chama deadline em inglês à toa”), mas privilegiar a entrega em detrimento total da qualidade é um tiro no pé no longo prazo. Tanto para a agência, que começa a produzir material de qualidade inferior, quanto para o criativo, que tende a se acomodar em entregar aquilo. E essa acomodação é o que estraga qualquer carreira e tira a empolgação de trabalhar.
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Publicado em: Mercado, sábado, 17th julho, 2010 às 9:36 pm
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julho 19th, 2010 às 7:24 am
Excelente artigo. Realidade constante aqui… raramente vejo alguém abordando o tópico. Parabéns!
julho 19th, 2010 às 11:49 am
Mother Foca! Belo texto, realidade bem feia.
julho 20th, 2010 às 2:45 pm
… e pensar que houve um tempo que como freela não passava por isso, que saudades daquela época. Hoje em dia o tamanho do cliente muda, mas o prazo não, sempre é para ontem.
julho 23rd, 2010 às 9:11 am
Tive a audácia de divulgar o seu texto no meu blog (http://deblugando.wordpress.com) pois, além de ser um excelente texto, demonstra a realidade de muitas empresas, não só de softwares.
dezembro 21st, 2010 às 5:30 pm
Interessante ponto de vista. Abraços!
http://oitentaedois.wordpress.com/
janeiro 11th, 2011 às 2:11 am
Olá pessoal, tudo bom.
Eu penso que esse problema se enquadra naquela velha história do “suporte”. Como desenvolver projetos funcionais se a agência não dá ao profissional o suporte (neste caso tempo, prazo e etc) necessário?
E principalmente em nossa profissão, onde necessitamos de tranquilidade para que a criatividade aflore e daí se materialize as idéias.
No meu ponto de visto este é o problema. Suporte.
Grande abraço a todos.