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Ano passado eu tive meu primeiro contato com as premiações em propaganda. Tinha acabado de chegar numa agência grande e estávamos na época de finalizar os trabalhos para o Festival de Cannes (que é um dos primeiros que acontecem). Foi legal ver todo a movimentação que aconteceu pra que tudo saísse certinho, e nada ficasse de fora por estourar o prazo das entregas, assim como foi legal acompanhar os resultados quando houve o julgamento do festival, uns meses depois.

E todo mundo queria ganhar prêmios pra que a área digital tivesse ainda mais moral dentro da agência e fazer mais bons trabalhos e também pra enriquecer os próprios portfólios. Mas assim, nessa ordem, de verdade.

Outro dia conversando com um amigo, ele disse que os clientes da agência dele estavam com pouca grana pra investir em internet porque já gastam muito em outras mídias. Pra mudar esse quadro, eles têm esperança de conquistar prêmios com duas ações que eles fizeram, e quem sabe ganhar novos clientes, ou ter mais liberdade pra trabalhar com os que eles já têm.

Já li e ouvi algumas vezes a discussão sobre se prêmios são importantes ou não, ou o quanto são importantes, mas achei o ponto citado bem válido. Soa algo como “Nós podemos fazer coisas boas de verdade. Quanto mais liberdade você nos der, melhor vai ficar”. E daí pra frente você tentar mudar um cenário de trabalho para uma coisa mais favorável.

Outra ponto é sobre o padrão de qualidade do trabalho que é feito. Por mais que o mercado brasileiro esteja cheio de gente muito bem qualificada, quando abrimos o leque de trabalhos e envolvemos o mundo inteiro, sempre aparece coisa nova, afinal sempre tem um gringo maluco fazendo algo que nunca ia passar pela sua cabeça. E quando o nível de exigência é mais alto, a média de qualidade sobe.

Pensando só por esse lado, já acho vislumbrar prêmios bem válido, mesmo que com isso se inverta a lógica do prêmio ser a consequência de um trabalho bem feito. Acho que a busca por  fazer coisas melhores acaba nivelando a coisa por cima.

Alex Bogusky, sócio da Crispin Porter, falou um pouco sobre isso no seu blog, há um tempo:

Advertising is rife with awardshows. I’m not sure there is any other industry so set on awarding themselves. and many of you are anxious to win one. And many of you will. And guess what? It won’t make any difference to how you feel the next day. And the next ad you have to do will not be any easier. You won’t be any smarter.

http://alexbogusky.posterous.com/why-not-take-a-moment-to-define-succe ss-befor

(o post inteiro é brilhante, vale a pena por cada parágrafo)

Eu entendo e concordo, mas o que quero dizer acima é que o esforço extra dedicado a fazer coisas da melhor qualidade deve ajudar a desenvolver mais o cérebro a pensar em ações diferenciadas. Tanto é que vários amigos meus com mais tempo de carreira sempre dizem que no começo vale a pena fazer peças fantasmas e colocar no portfólio (indicados como tal) para exercitar a mente.

Não gosto do negócio de ficar fazendo fantasmas pra tentar ganhar os metais nos festivais, mas já que isso acontece, poderíamos manter essa pegada de procurar oportunidades para os clientes durante o ano inteiro, não só nos primeiros meses do ano (época que antecede as premiações) e entregar mais jobs por iniciativa da agência, sem o cliente pedir. Daí, quem sabe, conseguiremos melhorar o desempenho

Falando novamente de portfólios, vários diretores de arte e redatores ilustram seus jobs com vídeo-cases, o que, na minha opinião, acabam mostrando uma solidez muito forte dentro do conjunto dos seus trabalhos. E parece que dá certo.

Esssa é a minha opinião, não sei nem se os outros integrantes do Design Coletivo pensam assim, mas considero que qualquer questionamento é válido, principalmente se ele tiver a intenção de melhorar o próprio trabalho.


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Publicado em: Mercado, terça-feira, 6th abril, 2010 às 12:12 am
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2 Comentários para "Sobre prêmios em publicidade"


  1. Luís:
    outubro 13th, 2010 às 6:30 pm

    Achei válida a sua defesa dos prêmios… embora eu ache que está bem distante da realidade da publicidade brasileira e dos dirigentes das agências… infelizmente (digo isso após ter passado por algumas).

    Deveria-se fazer materiais instigantes e de alta qualidade durante o ano inteiro, e não só para conquistar clientes ou prêmios, mas para se conquistar respeito… e não só isso… seria ótimo se as agências parassem de subestimar o intelecto do consumidor.



  2. Camilo Oliveira:
    outubro 18th, 2010 às 10:57 am

    Eu concordo que ainda é uma visão distante, escrevi mesmo na ideia de que acho que seria melhor se fosse mais nessa direção do que na dos fantasmas.

    O argumento de ‘conquistar respeito’ foi bem feliz da sua parte.



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