O analfabetismo sempre foi um dos fatores mais importantes quando se considera o índice de desenvolvimento de um país, servindo de base também para projetos de política interna que tem por objetivo diminuí-lo. Há algumas décadas, antes da chegada das novas mídias, uma pessoa para não ser considerada analfabeta precisava apenas saber ler e escrever, o que de fato, lhe dava uma certa condição de sobrevivência em uma sociedade ainda industrial.
Com o boom da internet e um aumento significativo na quantidade de informação gerada pela e para sociedade nos últimos anos, o sentido da palavra analfabetismo dentro deste novo contexto, ganhou uma nova conotação, sendo atribuída também à pessoas que não dominam os meios digitais. Mas, um outro tipo de analfabetismo, ainda não muito comentado e nem colocado em pauta pela mídia, é alvo de exploração por parte dos que já detêm o domínio sobre a linguagem da imagem, falo do analfabetismo visual.
Apesar de ser um tipo de comunicação que o homem se utiliza desde a antiguidade, nunca, em nossa história, ela foi usada com um poder tão grande de influenciar e persuadir pessoas. Através de mensagens contendo imagens carregadas de uma grande quantidade de sentidos e conotações, a maior parte das pessoas, que são as receptoras dessas mensagens, não se dão conta de que são manipuladas a formar opinião sobre os mais variados assuntos e desconhecem a forma como foram levadas a determinadas premissas.
Em um país como nosso, onde até o simples ato de ler e escrever é precário, uma das soluções que contribuiria em muito para diminuir nosso “analfabetismo visual”, seria o estado dar uma importância maior às aulas de educação artística na grade curricular do ensino fundamental e médio, o que de fato, é vital para que uma população não fique refém de meia dúzia de pessoas com interesses próprios.

