Sempre que algum dos muitos programas, sem os quais nós designers não vivemos sem, lança uma nova versão volto a ouvir a mesma discussão sobre as infinitas melhorias do último e do quão superior ele é, o que faz o seu antecessor parecer algo jurássico de onde é impossível conseguir extrair qualquer resultado de boa qualidade.
Calma, a Adobe não está lançado um pacote CS 4* (ainda), o que quero colocar em questão é a real necessidade desta constante atualização instantânea e o que possivelmente está por trás dela, tirando é claro os interesses comerciais das companhias envolvidas.
A grande maioria das pessoas que utilizam os softwares, principalmente a geração que começou a se aventurar neste universo um pouco depois da “bolha”, esqueceu (e inverteu) a real função do software, ou seja, ao invés de utilizarem o software como um facilitador (lê-se ponte) entre a idéia e o resultado, passaram a ser condicionadas pelo software, limitando-se, a mera reprodução das coisas que aprenderam a ver e fazer, seja em tutoriais ou com tutores, sem nunca experimentarem a criação de algo realmente diferente, criativo e significativo.
Acredito, friamente, que o verdadeiro aprendizado e maturidade como designer, só começa a ser alcançado quando primeiramente, desaprendemos tudo que nos foi ensinado, refiro-me aqui, aos vícios, manias, referências e códigos prontos que reproduzimos de modo automático em todos os nossos trabalhos e que nem ao menos chegamos a questionar antes de aceitarmos como belos, corretos e modelos que devemos seguir.
Devemos criar o hábito de questionar o que nos é apresentado como solução, não apenas para parecermos cultos (ou chatos), mas para entender a verdadeira função de cada um dos detalhes envolvidos na produção e aprender com isso antes de sairmos reproduzindo essas mesmas características nos mais diferentes contextos.
Antes de mudar a versão do seu software, talvez valha à pena pensar se quem anda condicionando seu trabalho (ou vai lhe garantir maior criatividade e capacidade) é a versão do seu software favorito ou sua real capacidade de ir além do óbvio e condicionar o software ao seu talento.
A melhor ferramenta que existe continua e sempre continuará a ser a mesma de muitos séculos atrás, VOCÊ. Pense nisto…
A ilustração acima foi criada pelo designer Thiago Martins.







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