O resgate da estética da cultura popular do nordeste no país, mais precisamente a do cordel, vem sendo muito bem aplicada nas ruas e em peças de design.
O artista plástico de Recife, Derlon Almeida, ilustrador de capas de literaturas de cordel e graffiteiro das ruas da capital pernambucana, busca através da xilogravura e tecnologias acessíveis na periferia, referências para criação de seus desenhos, fundindo muito bem arte popular com arte contemporânea.


Com poucas cores, o cordel utiliza em grande parte o preto e branco, procurando a aproximação da imagem com a xilogravura, que com seus traços simples e grossos deixam bem marcante a informação com o receptor. Na rua não é diferente, a comunicação é rápida sendo facilmente aceita pelo público, acostumado a ver apenas outdoors, faixas e cartazes espalhados pela cidade (em Recife ainda não existe a Lei Cidade Limpa), o que deixa ainda mais artistas como Derlon utilizarem o espaço urbano para realização de suas obras.

Já em São Paulo, existe o bem consagrado artista plástico/grafiteiro e ilustrador Speto, também muito influenciado pela cultura regional do nordeste.
Conhecido entre os artistas de rua, suas ilustrações se encontram em discos de artistas musicais como O Rappa, Nação Zumbi, Charlie Brown Jr, além de trabalhos para a Brahma. Ele mistura na massa cultural, ainda um pouco de tatuagens maoris e tribais indígenas, resultando em composições de forte estilo contemporâneo.



Empresas como a Natura, investem nesse tipo de arte. Há tempos atrás, juntamente com o artista Valdeck de Garanhuns e a agência paulista Modernsign, criaram uma papelaria com visual baseado em xilogravura.

A disseminação da cultura popular do nordeste com a nossa é muito bem casada, como já citado aqui, quando os grafiteiros paulistas Osgemeos, fizeram a capa do cd do grupo pernambucano Siba e a Fuloresta.
Mais:
Conheça um pouco sobre literatura de Cordel:
Academia Brasileira de Literatura de Cordel
A Literatura de Cordel
Xilogravura:
Álbum de Xilogravuras
J.Borges no Lost Art