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Em um projeto para um novo web site em que estive envolvido recentemente percebi, através do pior exemplo, como o simples fato de perguntar antes de executar qualquer trabalho faz falta, não importa o quão especialistas naquele assunto somos, nem mesmo se somos o mestre o “achismo” e continuamos a acreditar veemente que somos capazes de adivinhar o que os outros estão pensando e querendo.

Após ouvir atentamente o que o cliente queria e fazer as anotações, cometi o grave erro de achar que sabia o que ele quis dizer e simplesmente não fazer aquelas perguntas rotineiras que acabam com a margem de dúvidas, diminuindo a de erros. Não é preciso muito para saber que, acabei tendo que fazer tantas alterações no trabalho que no final, posso dizer sem dúvidas que fiz dois trabalhos, mas obviamente recebi apenas por um deles.

Infelizmente para nós designers, esta não é uma história incomum, mas ela pode acontecer com qualquer área e nos mais variados projetos. Não são poucas as vezes em que deixamos de lado essa importante tarefa (de perguntar) e cometemos erros, esquecemos que tudo é passível de interpretação e essa, por estar carregada de subjetividade, nem sempre é a mesma para as partes envolvidas.

Fazer a pergunta certa é, muitas vezes, a parte mais importante do nosso trabalho e também a que mais pode facilitá-lo. Quantas vezes a nossa reação diante de uma pergunta que parece óbvia é sempre a resposta: porque você faz uma pergunta cuja resposta já conhece? Hoje entendo a importância desta prática e o sem número de erros que esta atitude pode nos garantir.

Uma breve análise sobre o ato de questionar nos mostra por exemplo, o que a maioria das pessoas procuram quando recorrem a terapias, parece assustador, mas o que elas precisam são as perguntas corretas,que lhe ajudem a entender o que está acontecendo. Esse é o trabalho do terapeuta e é através das perguntas certas que ele estimula e direciona o paciente a desenvolver o autoconhecimento a ponto de entender e superar a situação.

Quando for iniciar seu próximo projeto, não se esqueça de incluir muitas perguntas nele e claro, sempre que concluir uma etapa ou surgir uma dúvida, pergunte também, mesmo que a resposta pareça óbvia e clara para todos. Não se preocupe em ter todas as respostas, as perguntas certas são bem mais importantes e certamente você chegará a conclusão de que a resposta e a solução para todas elas é, e sempre será a mesma, você.

O Camilo já defendeu aqui, tempos atrás, o uso do papel e o Klaibert também em seu último artigo. E realmente, no processo criativo a utilização dele é bem útil.

Procuro andar sempre com um bloco de papel e um lápis comigo, hábito que já conservo há tempos. Periodicamente acontece de aparecer uma idéia na cabeça. Na hora pego o papel e faço um rascunho (esboçando um desenho, escrevendo um texto, ou os dois), bem simples mesmo, com poucos detalhes, para que eu não esqueça a idéia e ela passe batida.

Chegando em casa melhoro esse esboço, pensando na disposição dos elementos, paleta de cores, estilo da fonte, etc. Aproximadamente como no esquema abaixo. Isso ajuda bastante quando aparece uma idéia, não deixando dispersar uma idéia que surge de repente.
cor1.jpg
Idéia de produção de uma máscara para stencil que faço.

Às vezes escrever no celular ou tirar uma foto de referência de alguma coisa também facilita.

Além dessa questão levantada, que é usada para se lembrar de uma sacada, o papel é muito útil para organizar um layout e projetos visuais. Quando se tem o briefing na mão ou a própria idéia na cabeça, se organizar no papel facilita imensamente o trabalho, principalmente estruturando a diagramação (como na maioria dos casos). Assim se ganha um bom tempo no processo.

revista1.jpg
Projeto de página interna que fiz para uma revista educacional.

Com o rascunho em mãos é possível discutir com amigos de trabalho que você confia, com seu diretor de arte/criação ou diretamente com o cliente. Com a ajuda de uma simples borracha para descartar possíveis exageros e fazer alguns ajustes é possível ir direto ao ponto na produção e finalização. Daí é só passar para a tela ou qualquer outro suporte que vá usar.

Faça o teste.

Degrade

A maioria dos designers quando começam, adoram usufruir de degradês. Peças de resultados cada vez mais interessantes surgem e também o contrário, aquelas feitas pelos famosos “sobrinhos”, bem feias, com efeitos mal aplicados que doem aos olhos.

Folhetos de pizzarias, padarias, colégios infantis, etc. Na maioria das vezes, são com aqueles degradês bem nojentos, de uma cor pura a outra (verde para o amarelo, amarelo para o roxo), fora aqueles que simulam arco-íris, que são pré-definidos por programas de criação de imagens. Efeitos nada pensados, aplicados apenas para preencher o fundo dos folhetos.

Comecei a trabalhar em uma agência agora, como vetorizo a maioria das coisas, o uso do degradê é bem útil, para aparentar volume em objetos e para aplicar como preenchimento de fundo, selecionando uma parte (mapa de degradê), para destacar algum objeto dentro no layout.

Estou começando a me aprofundar nesse recurso agora, não que seja dificil utilizá-lo, mas requer certos cuidados na hora de aplicar.

Não existe tanta regra para aplicação deles, mas na maioria das vezes os sútis, são os que dão melhores resultados, como: Branco para preto 10% , Marrom Capuccino para o marrom um pouco mais claro, entre outros.

Citar um assunto desse e não falar de Apple é dificil, um belo exemplo de sutileza em degradês de volumes. Afinal, o que a Apple faz não vem sendo referência?

Algumas dicas básicas que deixo são:
- Tomar muito cuidado na hora de aplicar degradês (Duas vezes mais com o efeito “Radial”);
- Pegar referências de degradês agradáveis (Nem é preciso andar muito, nas próprias interfaces da maioria dos novos programas tem coisas boas, ex: iTunes, Windows Vista, até mesmo no XP)
- Cuidado em aplicar degradês de uma cor para outra totalmente contrastante,
ex: preto 100% com branco, roxo com amarelo, marrom bem escuro com bege bem claro.
Estes mesmos são mais aplicados para efeito de luz no objeto;
- Somente usar degradês pré-definidos pelos programas de edição, para começar na criação do degradê, trocando suas cores nos ajustes.

Mais:

rodrigomuniz.com/blog/moda-no-design-para-a-web
www.slideshare.net/elliotjaystocks/fowd-november-2007

Sites com degradês bem aplicados:
www.santander.com
www.philips.com.br
www.ford.com.br

Para o profissional de qualquer área, um dos momentos mais complicados é o começo da jornada, ou seja, a hora de ganhar a oportunidade para mostrar seu trabalho. Na maioria das profissões, a situação é um pouco mais complicada, pois a dependência direta da aceitação de uma empresa, é fator quase que necessário para que a pessoa comece a atuar na área e desempenhar aquilo que se preparou na faculdade, em cursos ou de forma auto-dídata. Muitas vezes, devido a essa dependência, muitas pessoas acabam desistindo da carreira. Já na área de Design, apesar da concorrência acirrada, acredito que há um ponto de grande relevância: o designer ganha visibilidade com projetos, e esses projetos, podem ser desenvolvidos por iniciativa própria do designer.

A iniciativa própria, e o que afirmo aqui não é segredo para ninguém, é a maior ferramenta que uma pessoa pode ter, mas para um designer ela tem um valor incalculável. Quem nunca navegou em um site de alguma empresa grande, ou olhou um cartaz ou banner de uma grande marca na rua e se indagou: ‘Poxa, se eu tivesse a oportunidade, acho que poderia fazer melhor…’. e aí é que chego à grande questão deste post.

Um designer iniciante que ainda não tem nada profissionalmente em seu portifólio, pode através de projetos experimentais ou paralelos, apresentar prospostas a empresas que dêem visibilidade ao trabalho do mesmo. Uma grande oportunidade para isso são os trabalhos desenvolvidos durante a faculdade. Nesses trabalhos há a possibilidade de se pesquisar, analisar e encontrar soluções em situações reais do mercado, o que de uma forma objetiva, significa que após a conclusão desse trabalho, nada lhe impede de apresentá-lo a uma determinada empresa.

Já não é de hoje, que designers e muitos ilustradores arriscam, muitas vezes sem muitas expectativas, enviar amostras de seus trabalhos para grandes empresas e posteriormente são convocados a realizar trabalhos de visibilidade, como foi o caso dos 3 garotos da Nitrocorpz de Goiás, que enviaram uma série de ilustrações para MTV Brasil e as mesmas foram utilizadas por todo o ano nas vinhetas da programação. Esse trabalho em específico, composto de figuras de extrema simplicidade, e que de uma certa forma foi simples de ser feito, abriu diversas portas a eles como os próprios comentaram no último Pixel-Show em que estivemos presentes lá.

imagem.gif

É muito provável que grande parte da humanidade gosta de trabalhar ou executar uma determinada tarefa ouvindo música, seja lá em alto som ou até mesmo, de uma forma mais reservada, como o fone de ouvido.

Levando esse assunto para a área de design, percebo diversos comportamentos: pessoas que só conseguem trabalhar se tiverem uma música acompanhando, ou até mesmo outras que se desconcentram e não conseguem criar absolutamente nada com a presença de algum tipo de áudio.

Em um determinado ambiente, a música pode interferir diretamente na ação e na construção de algo. Isso se torna claro quando conhecemos alguns tipos de trabalhos, principalmente quando são alternativos e experimentais. Podemos reparar nesses tipos de trabalho como a música formata a idéia inicial do designer, muitas vezes devido a uma parte da letra ou ritmo utilizado. Nesses trabalhos, não vemos necessariamente se a influência musical foi criada devido ao Rock ou Reggae, ou qualquer outro estilo, mas podemos sim observar movimento.

Não que todas as pessoas que gostam do mesmo ritmo vão criar trabalhos iguais, que utilizam as mesmas cores e formas. Provavelmente a maior semelhança entre essas pessoas seja o caminho percorrido para a conclusão de um trabalho. A busca de estilos musicais alternativos pode proporcionar novas construções pessoais ao designer, criando assim um estilo independente e variável, afinal, a música sofre mudanças diariamente.

Já a busca por estilos musicais antigos pode forçar em certo momento, uma maneira diferente de interpretar o que está sendo criado.

A necessidade da criação e da busca do novo é fator comum entre design e música, tornando assim paralelo para tantos como fonte de inspiração, e desprezado por poucos devido a desconcentração de um processo de criação.

Desde pequenos ouvimos vários ditados, entre eles, um que podemos usar hoje facilmente: “a pressa é a inimiga da perfeição”. Percebo atualmente que o prazo acabou se tornando um dos fatores de diferenciação para a criação e produção de um trabalho bem feito.

E isso é refletido em tudo que fazemos, seja lá dentro de uma agência com um cliente que fica de cinco em cinco minutos ligando para saber se está finalizado, o atendimento que fez uma proposta com uma pequena quantidade de horas para trabalhar no projeto, um cliente free lance que manda e-mails desesperados pedindo milhares de alterações em uma hora, ou até mesmo trabalhos de faculdade que geralmente são feitos no último dia, sendo que o professor passou as especificações duas semanas atrás.

Por que fazemos tudo isso e lutamos intensamente contra o tempo? Porque não damos conta de administrá-lo e muitas vezes definimos as prioridades de maneira errada.

Porém, o designer que souber utilizar o tempo como aliado e não como problema, com certeza vai se adaptar facilmente a todas as dificuldades. Será mais fácil conversar com o cliente e mostrar que com um pouco mais de tempo, será possível buscar algo mais planejado, anulando assim o re-trabalho. Tudo ficará até certo ponto um pouco mais fácil, pois as alterações serão pequenas.
Com isso, teremos mais liberdade e tranqüilidade para a criação de novos propósitos, novos trabalhos, e quem sabe um dia, tempo para viver uma vida normal.

Sobre

O Design Coletivo é formado por 8 designers, interessados em criação de conteúdo relevante sobre design e seu reflexo no mercado, além do estímulo do debate nos assuntos referentes à area.

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