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Design para a Internet - Projetando a Experiência Perfeita

Livro obrigatório para quem trabalha com web, até demorei para separá-lo para ler. O autor, Felipe Memória, diz que o livro é sobre “pontos importantes que devemos pensar na hora de projetar produtos de internet”. Apesar de parecer um pouco impessoal, acho essa descrição importante por falar de `produtos de internet`, e não somente de websites. Não trata de um guia prático de produção de sites, e solução de problemas corriqueiros, a discussão é mais ampla.

Memória também criou um site que é focado no livro, experienciaperfeita.org funcionando com um complemento do livro, com correção de alguns erros na publicação e principalmente material extra. Conta também com um blog, atualizado esporadicamente por mais 2 pessoas além dele.

O primeiro capitulo do livro fala um pouco sobre como era praticado o desenvolvimento para internet no início e reforça a importância de profissionais com conhecimentos em diferentes áreas do processo, que juntos podem tomar decisões melhores, considerando melhor cada disciplina envolvida, como exemplificado no gráfico abaixo, que reproduzo do livro.

Design centrado no usuário

Depois fala um pouco sobre a Ideo, empresa que projetou o primeiro mouse da Apple (não admiro os mouses Apple, mas na época, mouses ainda não existiam) e sobre o processo de criação que a Ideo adota, bem interessante. O próximo case é da reformulação do site da BBC, que desejava criar o que eles chamaram de uma “alma” para o site. O resultado foi satisfatório, mas o mais importante para o aprendizado é a descrição do processo de desenvolvimento. O ponto principal do capítulo é a profissionalização da profissão.

O segundo capítulo fala sobre experiência do usuário (assunto que pretendo abordar em breve aqui no Design Coletivo). Navegação, formatação e padronização dos elementos da interface são fatores que devem ser cuidadosamente projetados para que o site não seja uma coisa confusa de usar. A maioria dos cases do capítulo são da Globo.com, onde Memória trabalhava na época, e detalham o desenvolvimento de diversos sites dentro do portal. Fala também da importância de uma consistência entre todos os sites, de modo que o usuário precise aprender uma vez só a navegar. Fecha o capítulo falando da biblioteca de elementos de interface do Yahoo! (Yahoo! User Interface Library), que centralizou tudo que as equipes de design criava e pesquisava, para unificar a identidade dos produtos desenvolvidos pelo Yahoo! e hoje é um sucesso.

Testes de usabilidade são o assunto do terceiro capítulo. Com a crescente profissionalização da profissão de designer interativo, já não havia mais motivo para que o que Memória chamou de “política de tentativa e erro”, com as soluções projetadas com base no achismo, sem preocupação com usabilidade.

O primeiro exemplo é de um teste do modelo acadêmico, realizado no site do Banco Central, que procura testar um elemento da interface, neste caso, os breadcrumbs (ou migalhas de pão). A aplicação foi feita no site do Big Brother Brasil 5.

O segundo teste é do modelo de mercado, feito dentro da Globo.com para o produto Globo Media Center (atual Globo Vídeos). Na ocasião do segundo teste a verba era curta, os usuários que participaram eram assinantes da Globo.com e o modelo foi escolhido também em função da verba. Saída interessante para uma ocasião restritiva (e também pensar que mesmo em grandes empresas existe orçamento apertado).

Fluidez (ou flow) e a imersão do usuário numa interface pautam o 4º e último capítulo de conteúdo do livro (o 5º capítulo faz um resumão dos outros). Jakob Nielsen diz que conteúdo é rei. Felipe Memória quer expandir e definir o conceito de conteúdo. Não só texto, não só graficos, mas a reunião destes e outros fatores em harmonia, adicionando também o conceito de comunidades (onde diz que a qualidade visual e facilidade de uso não são o primeiro fundamentais para o sucesso de uma comunidade), que chegam num resultado de satisfação de uso num site e cita dois cases (Orkut e Hattrick) como exemplos de sua argumentação.

A narrativa do livro é gostosa de ler, se assemelha a uma conversa, sem querer ditar regras, atingindo sua proposta de discutir questões relativas a projetos de Internet.

Compre o livro: R$ 56,50 no Submarino ou na Saraiva.

Não me faça pensar

A chamada “Uma abordagem de bom senso à usabilidade na Web” é realmente como o livro se apresenta.

A 2ª edição é um pouco diferente da primeira, porém como o próprio autor diz, algumas coisas mudaram na web e ele precisava ser atualizado, mas continuar curto e objetivo.

Como projetamos e como o visitante usa o site

‘Não me faça pensar’ é o que Krug chama de sua 1ª lei de usabilidade. Não pode haver dúvidas para quem navega, ele fala que quando navegamos, examinamos os sites com perguntas (O que tem aqui? O que será isso? etc.) e nosso objetivo a hora de projetar sites é eliminar essas perguntas. Quanto mais sucinto uma frase ou ligação for, mais fácil de entendê-lo será.

Diferentemente de quem trabalha com internet, as pessoas não têm muito tempo para examinar as páginas, elas não usam a internet da mesma maneira que nós e saem clicando na primeira coisa que acham interessante ou que parece ser o que estavam procurando. . Esses links precisam ser claros, os botões devem parecer botões e menus não devem ficar escondidos. Não há nenhum problema em fazer uso das convenções, porque para quem visita é mais claro entendê-las. Aliás a criatividade vem do bom uso dessas convenções. Claro que cada projeto tem suas particularidades e linhas gerais servem para apoio, não como regra, porém caso seja necessário reinventar a roda, tenha em mente que para isso (quase sempre) o usuário vai precisar pensar.

Depois ele fala da arte de não escrever para web, onde deve ser usado o mínimo de palavras possível e dá uma geral sobre breadcrumbs (migalhas de pão) assemelhando-as a placas de rua, que nos mostram o caminho, nos deixando seguros.

No capítulo 9 o assunto são os testes de usabilidade, que devem sempre ser feitos, o maior número possível de testes em cada etapa e a análise de resultados deve ser instantânea. A quantidade de pessoas para participar de cada teste não é fundamental, é melhor fazer dois testes com 3 pessoas cada um do que um teste só com 8 usuários, que vão enxergar menos problemas em um único teste do que 2 testes. Particularmente o assunto me interessou, os testes não parecem mais ser coisas de super especialistas, mas podem ser feitos por qualquer pessoa que desenvolva para internet. Há algumas ferramentas grátis que capturam telas (como o Camtasia Studio) e podem ser úteis nessa tarefa, evitando a necessidade de uma filmadora e uma fita, por exemplo.

A parte mais interessante do livro é a abordagem à paciência do usuário ao navegar em sites. Pode ser que ele comece disposto e vá ficando mais paciente ou impaciente de acordo com a facilidade de uso do site. Escaneei um gráfico do livro que é mais claro que qualquer explicação que possa ser escrita sobre o tema.

Nível de paciência do usuário

Krug conclui o livro falando sobre acessibilidade e resolução de problemas comun, como clientes e chefes insistentes com o que vai dar errado, como animações desnecessárias (como páginas splash), nomes de links que têm significado para a empresa e não para o usuário e campos excessivos em formulários.

Como escrevi anteriormente, as palavras do livro servem como base para apoio e são flexíveis ao seu projeto. Quanto mais fácil for usar um site, mais sucesso ele poderá alcançar, independente de quem o usa. Se o site for fácil de usar para a sua avó, para os outros também deve ser.

Mais:
Site do autor Steve Krug
Pra você que (ainda) acredita em banners

Homepage: Usabilidade - Jabok Nielsen

Homepage: Usabilidade é um livro sobre usabilidade na internet. Os autores Jakob Nielsen e Marie Tahir analisam a página inicial do site de 50 empresas e organizações, apontando muitos erros, possíveis melhorias e pontos positivos. Na lista constam antigas companhias, como GM, Wal-Mart e ESPN, além de empresas online como Yahoo!, eBay e Amazon.

Mesmo sendo de 2001, muitos conceitos do livro continuam valendo e hoje não dão sinais de que vão mudar. Por outro lado, os sites evoluíram e muitos dos erros apontados já foram corrigidos e não são mais cometidos pelos designers e desenvolvedores em geral.

Como análise da página inicial, os autores não têm acesso ao planejamento dos sites e dão sugestões baseadas em suposições, o que pode-se perceber claramente no livro, e podem não representar o resultado desejado pelos donos das empresas. Então é preciso ter cuidado na hora de projetar, para saber as necessidades de cada site.

Por fazerem análises das páginas iniciais de 50 sites individualmente, é possível que depois de um certo número de sites, o livro pareça repetitivo e até chato, como citado nas leituras recomendadas do livro Não me Faça Pensar, de Steve Krug (minha próxima leitura, já lido, veja a resenha), porém é interessante entender as sugestões e o contexto de cada site.

No início do livro há 113 diretrizes de usabilidade que sustentam os argumentos da dupla para as análises posteriores. Melhor parte do livro. Depois começam as análises.

Compre o livro [em inglês] (comparação de preços do Buscapé)

Mais:
Site oficial do livro – Jakob Nielsen
Resenha da Folha de São Paulo (2002)

Sobre

O Design Coletivo é formado por 8 designers, interessados em criação de conteúdo relevante sobre design e seu reflexo no mercado, além do estímulo do debate nos assuntos referentes à area.

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